Sem uniformes e em ‘clima de adaptação’, programa de escolas cívico

A realidade das escolas cívico-militares em Campinas

O Programa de Escolas Cívico-Militares (PECM) foi implementado em seis instituições de ensino na região de Campinas, iniciando suas atividades no primeiro semestre de 2026. Este projeto busca incorporar elementos de disciplina militar ao ambiente escolar, mas encontrou um desafio notável logo no começo: a ausência de uniformes para os alunos. A Secretaria de Educação do Estado de São Paulo ainda não completou a compra dos uniformes, e não existe um prazo claro para entrega aos estudantes.

Nesse sentido, a EPTV, uma emissora afiliada à TV Globo, acompanhou a situação nas salas de aula da Escola Estadual Professor Messias Gonçalves Teixeira, localizada no Jardim Nova Aparecida. Em seu primeiro dia, a escola estava em um estado de “clima de adaptação”, sem mudanças significativas nos métodos pedagógicos.

Clima de adaptação entre alunos e professores

O ambiente nas escolas cívico-militares reflete uma transição que vai além da simples implementação de uniformes. Os docentes e alunos estão se ajustando a um novo modelo que, embora ainda mantenha as disciplinas tradicionais como português e matemática, também faz uma ênfase no civismo e no respeito mútuo.

programa de escolas cívico-militares

A coordenadora pedagógica da escola, Maria do Carmo Fernandes, afirmou que o foco primordial continua sendo o aprendizado. Em vez de simplesmente introduzir uma nova disciplina de civismo, o comportamento dos alunos e professores é considerado fundamental na formação dos valores cívicos que o programa deseja incutir.

Impactos da falta de uniformes nas atividades escolares

A ausência de uniformes no início do programa levantou questões sobre a disciplina e organização do cotidiano escolar. Apesar da incerteza quanto à entrega de roupas adequadas, a Secretaria de Educação garantiu que essa falta não interfere nas atividades educacionais.

Na prática, a falta de uniformes pode trazer implicações sociais e emocionais para os alunos, que podem sentir-se deslocados ou diferentes dos colegas, mesmo que momentaneamente. Além disso, esse fator pode afetar a percepção de autoridade e a identidade que o programa procura estabelecer.

Alterações que o programa traz para o cotidiano escolar

O PECM visa implementar uma rotina que incorpore disciplina militar em várias esferas do dia a dia escolar. Isso inclui ajustes no calendário escolar e intervalos, além de um foco maior em comportamentos e atividades que promovam a cidadania e o civismo.

Os alunos reportaram algumas mudanças já visíveis, como a execução do hino nacional em horários específicos e a divisão dos estudantes por ano escolar, com o 9º ano agora frequentando o mesmo espaço físico que as turmas de ensino médio. Essas alterações estão fazendo parte do processo adaptativo, e as expectativas são altas entre a comunidade escolar.

A importância da segurança nas novas escolas

A segurança é uma das prioridades do programa, com a presença de monitores e policiais militares nas escolas, cujo objetivo é garantir um ambiente mais seguro e disciplinado. Essa novidade tem o potencial de aumentar a sensação de segurança entre os alunos e suas famílias, embora também levante discussões sobre a militarização do espaço escolar.



A participação de profissionais de segurança é vista como uma maneira de contribuir para que as diretrizes do curriculo escolar sejam cumpridas com mais rigor, promovendo o respeito e o comportamento adequado no ambiente escolar.

Reações dos alunos sobre a nova rotina

A percepção da nova rotina tem gerado reações diversas entre os alunos. Muitos expressaram curiosidade sobre as mudanças, incluindo a nova estrutura de horários e a sangria das aulas de civismo.

Gustavo Barbosa, um estudante de 14 anos, compartilhou que a nova rotina trouxe muitas interações diferentes, e que a prática de cantar o hino nacional trouxe um sentido de unidade entre seus colegas. Outra aluna, Maria Eduarda Freitas, destacou as novas divisões de sala e a adição de professores que estão se incorporando ao sistema, revelando um aumento de 42% nas matrículas na escola.

Perspectivas de educação cívica na prática

As expectativas quanto ao que o PECM pode oferecer em termos de educação cívica são altas. Por meio do compromisso com o civismo, o programa busca engajar os alunos não apenas academicamente, mas também como cidadãos conscientes e ativos.

O desafio está em encontrar o equilíbrio entre a disciplina militar e a fluidez do aprendizado tradicional, para que os alunos possam se desenvolver plenamente sem perder sua individualidade e a liberdade de expressão.

Desafios e oportunidades do programa cívico-militar

Embora o programa apresente uma série de oportunidades para formar alunos mais disciplicados, ele também enfrenta desafios como a resistência a mudanças por parte de alguns educadores e pais. É fundamental que haja um diálogo aberto entre todos os stakeholders envolvidos, incluindo estudantes, pais e educadores.

As avaliações periódicas dos militares envolvidos, assim como o feedback constante da comunidade escolar, são práticas que poderão contribuir para o sucesso do programa e sua adequação às necessidades dos alunos.

A resposta da Secretaria de Educação ao atraso dos uniformes

Em resposta à questão dos uniformes, a Secretaria de Educação ressaltou que a ausência deles não impacta nas atividades acadêmicas e que a compra ainda está em processo. A pasta também reforçou o compromisso de atender às demandas da comunidade escolar de forma a garantir a implementação eficaz do programa.

As informações fornecidas à imprensa destacam que a gestão das escolas cívico-militares terá suporte contínuo, assegurando que todas as diretrizes do currículo estadual sejam seguidas com suporte efetivo.

O futuro das escolas cívico-militares em São Paulo

O PECM em São Paulo carrega consigo a expectativa de criar um novo modelo de educação que prioriza a disciplina e o civismo, alinhando esses valores ao currículo escolar. O sucesso do programa dependerá da colaboração entre as partes envolvidas e da flexibilidade para se adaptar às necessidades da comunidade escolar.

À medida que o programa avança, as expectativas são de que as escolas cívico-militares possam estabelecer um novo padrão educacional que não apenas promova o aprendizado acadêmico, mas também os valores éticos e cívicos necessários para formar cidadãos conscientes.