A cada 100 motos, 46 são utilizadas para trabalho em Campinas

Crescimento das motocicletas em Campinas

Campinas, localizada no estado de São Paulo, é uma cidade que tem visto um aumento significativo no número de motocicletas circulando em suas ruas. Com uma população grande e uma vida urbana movimentada, as motos se tornaram uma alternativa popular tanto para o transporte pessoal quanto para atividades profissionais.

Atualmente, estima-se que a frota de veículos da cidade já ultrapassou a marca de um milhão, sendo que cerca de 174,1 mil desses veículos são motos e motonetas. A cada cem motocicletas na cidade, aproximadamente 46 são utilizadas para fins profissionais, refletindo uma tendência crescente vinculada ao uso de motos para entregas e serviços similares.

Motocicletas e o trabalho formal

O trabalho em motocicletas, especialmente no setor de entregas, tem crescido de forma notável nos últimos anos. Essa mudança é impulsionada pela demanda cada vez maior por serviços de entrega rápida e eficiente, especialmente em tempos em que o comércio eletrônico está em expansão. Os motociclistas, conhecidos como motoboys, desempenham um papel fundamental nesse ecossistema, possibilitando que empresas atendam às necessidades de seus clientes com agilidade.

motos utilizadas para trabalho

Dentro desse contexto, dados do Departamento Estadual de Trânsito de São Paulo (Detran-SP) revelam que 79.546 motocicletas são utilizadas profissionalmente em Campinas, destacando o uso das motos em atividades remuneradas que são essenciais para a economia local.

Adicional de periculosidade: o que é?

A partir de 3 de abril de 2026, um novo direito entrou em vigor para os motociclistas que trabalham com carteira assinada: o adicional de periculosidade. Este benefício consiste em um acréscimo de 30% sobre o salário-base dos trabalhadores que utilizam suas motos em atividades de risco, como acontece com muitos entregadores e motoboys que enfrentam os perigos do trânsito diurno e noturno.

Este novo adicional é uma medida destinada a reconhecer e compensar os riscos que esses trabalhadores enfrentam diariamente. O pagamento se aplica a motociclistas que têm um vínculo empregatício formal, ou seja, aqueles que possuem contrato de trabalho regido pela CLT.

Quem se beneficia do adicional?

Embora a nova legislação traga benefícios significativos para muitos, é importante esclarecer que ela não se aplica a todos os motociclistas. Por exemplo, motoboys que atuam como autônomos ou que trabalham para aplicativos não têm direito ao adicional, já que não possuem um vínculo formal de emprego.

Além disso, aqueles que utilizam suas motos apenas para deslocamentos pessoais entre casa e trabalho, ou que operam dentro de áreas privadas, também estão excluídos do benefício. Isso significa que, para se qualificar para o adicional de periculosidade, o trabalhador deve estar formalmente empregado e ser obrigado a utilizar a motocicleta como parte de suas funções de trabalho.

Mudanças no perfil dos motoboys

O perfil dos trabalhadores que utilizam motocicleta para o trabalho tem mudado ao longo dos anos. Antigamente, muitos motoboys eram autônomos e dependiam de chamadas esporádicas para atender aos pedidos de entrega. Contudo, com o crescimento do comércio eletrônico e a popularização de aplicativos de entrega, um número crescente de motociclistas tornou-se formalmente empregado, visando obter uma renda mais estável.

Essa mudança atrai novos talentos para o ramo, e muitos optam pela profissão devido à flexibilidade de horários e ao potencial de ganhos. Além disso, a regulamentação pode ajudar a melhorar as condições de trabalho e garantir que os motociclistas estejam mais protegidos.



A importância do laudo técnico

Para que o adicional de periculosidade seja efetivamente concedido, as empresas terão que elaborar laudos técnicos que provem as condições de periculosidade do trabalho realizado pelos motociclistas. Esses laudos devem ser elaborados por médicos do trabalho ou engenheiros de segurança, que analisarão se o funcionário se enquadra na categoria de risco.

O laudo é crucial para garantir que a empresa esteja em conformidade com as normas estabelecidas, pois a falta deste documento pode levar a problemas legais e a reivindicações trabalhistas. Assim, é essencial que as empresas estejam atentas a essa exigência e busquem apoio especializado para a elaboração dos laudos.

Riscos enfrentados por motociclistas

Trabalhar como motociclista expõe o trabalhador a uma variedade de riscos no trânsito. Desde acidentes até problemas de saúde decorrentes da exposição constante a intempéries, os motociclistas enfrentam desafios significativos. A velocidade e a falta de proteção comparadas aos veículos maiores tornam os motociclistas especialmente vulneráveis em caso de colisões.

Além dos riscos físicos, os motociclistas também podem enfrentar problemas de saúde devido à tensão constante, especialmente em ambientes urbanos movimentados. Por isso, é fundamental que esses profissionais estejam conscientes dos riscos que podem enfrentar e adotem medidas para melhorar sua segurança e saúde.

Uso de motos por aplicativos

O uso de motos para atividades de entrega através de aplicativos tem crescido rapidamente, especialmente entre jovens que buscam formas alternativas de geração de renda. Contudo, essa categoria, por não ter um vínculo formal de emprego, fica excluída do adicional de periculosidade, mesmo enfrentando desafios e riscos semelhantes aos dos motoboys contratados oficialmente.

A crescente presença dos aplicativos de entrega criou um fenômeno social, onde um número significativo de pessoas passa a depender desse trabalho informal, o que levanta questões sobre a segurança e a proteção dos direitos desses trabalhadores.

Impactos no trânsito da cidade

Aumentar a frota de motocicletas na cidade não vem sem seus desafios. Os motociclistas, ao mesmo tempo que contribuem para um serviço essencial, também podem atuar como um fator de risco nas ruas. O aumento do número de motos nas vias pode levar a uma maior incidência de acidentes e congestionamentos, especialmente em horas de pico.

Além disso, a cidade precisa adaptar sua infraestrutura para lidar com o fluxo crescente de motocicletas, garantindo a segurança de todos os usuários da via. Isso inclui a criação de faixas exclusivas, sinalização adequada e campanhas de conscientização sobre a segurança no trânsito.

Futuro das motocicletas em Campinas

O futuro das motocicletas em Campinas parece promissor, principalmente com o advento de novas regulamentações que visam oferecer maior segurança e proteção aos trabalhadores do setor. À medida que mais pessoas se afastam de transportes tradicionais e optam pelo uso de motos, a gestão urbana precisará inovar e adaptar-se a essa nova realidade.

Enquanto as motocicletas continuarão a proporcionar uma forma ágil e econômica de transporte, o foco em políticas de segurança e infraestrutura deve ser uma prioridade para que todos possam se beneficiar das vantagens oferecidas por esse meio de locomoção. As iniciativas direcionadas a proteger os trabalhadores e garantir condições dignas de trabalho serão essenciais para o bem-estar e a sustentabilidade desse segmento no futuro.